domingo, 14 de setembro de 2014

BRINCANDO DE CUMBIA COM O SUPERLAGE

A banda 'Superlage' cria um som único, que apresenta uma mistura homogênea entre os ritmos latinos e brasileiros e a música eletrônica.  


A banda 'Superlage' foi formada em Pernambuco pela dupla Raimundo Alfaia e Eudes Ciriano, também conhecido como DJ Incidental, e conta com diversas participações como Jana Figarela, Alessandra Leão, Tom Rocha, entre outros.

O disco de estréia da 'Superlage' trás uma seleção de ótimas cumbias inéditas com uma roupagem eletrônica bem dançante. Toda cumbia já tem uma levada jamaicana, que quase pode ser reconhecida como reggae, mas que a percussão se encarrega de levar para um terreno “mucho más caliente”.

O álbum, 'Superlage', começa com 'O teu calor', uma cumbia eletrônica, que funciona como uma bela síntese do resto da obra – gravada como trio por Jana, Eudes e Alfaia. 'De tanto esperar' revela uma leitura precisa dos bailes de cumbia através da visão peculiar de Eudes e sua crônica sensual e elegante.

'La cicimila' repete o mesmo cenário lúgubre dos salões de dança, seguida por 'Cumbia das flores' – canções que já trazem as participações de Pierre Leite nos sintetizadores e Rocha nas percussões. 'Quero brincar de sol' reflete toda incidência de luz recebida do Astro-Rei, com Mauricio Candussi na sanfona.

'Dia de Rei' é uma homenagem a Iemanjá, seguida pela instrumental 'Uh la lai', lançada anteriormente como trabalho do DJ Incidental, mas incorporada no repertório da banda. 'Baila perfumada' talvez seja a única canção mais calcada nos ritmos jamaicanos, como reggae e ska. Isto é, sem muito da influência latina da cumbia, nem as interferências eletrônicas presentes nas outras faixas.

'Se o teu desejo é amar' apresenta um carimbó-havaiano, com o luxuoso auxilio da voz de Alessandra Leão e do naipe de metais formado por Gilberto Reis no sax alto, Daniel Galego no barítono, Augusto França no trompete e Thaison Ferreira no trombone – sem falar na guitarra de Juliano Holanda e guitarra-slide de Vitor Magall.

'Trança de raiz' segue a linha latinidade e mostra uma salsa-calipso com a pegada eletrônica, característica da banda. Enquanto 'Para de chover' retoma a cumbia de riff poderoso e pegajoso. O disco encerra com o remix ciranda-maracatu do DJ Lúcio K. para a canção 'O teu calor'.

As canções do álbum servem ao conceito da mistura de ritmos, gênero e estilos. “Todas têm esse chiado da cumbia, que cabe num afoxé, num forró, num samba e por aí vai – enfim, não tem como determinar, será o que você escutar e achar que é”, define Eudes.

Com este petardo, o 'Superlage' apresenta um som único extremamente dançante, com a elegância habitual de seus realizadores, Eudes e Alfaia, que assinam a produção do disco, junto com o verniz de Buguinha Dub na masterização e direção técnica.

2014 Superlage

1. O teu calor
2. De tanto esperar
3. La cicimila
4. Cumbia das flores
5. Quero brincar de sol
6. Dia de Rei
7. Uh la lai
8. Baila perfumada
9. Se o teu desejo é amar
10. Trança de raiz
11. Para de chover
12. O teu calor (Lucio K ciranda remix)

domingo, 7 de setembro de 2014

E O TERNO QUE ERA CONCRETO NA VERDADE É ABSTRATO

Filhos da vanguarda paulistana apresentam o novo rock psicodélico brasileiro com um olho no passado e outro no futuro.  


A guitarra de Tim Bernardes é cada vez mais feroz, o baixo de Guilherme d'Almeida, o 'Peixe' emana suingado e sofisticação enquanto a bateria de Vitor Chaves carrega cada vez mais peso e balanço. Fora as participações especiais de gente como Tom Zé, Luiz Chagas, Marcelo Jeneci, entre outros.

Com letras inspiradas Tim propõe uma crônica cotidiana, surreal e por vezes propondo teoremas conspiratórios. O álbum abre com a rasgante 'Bote ao contrário' de instrumental sofisticado calcado nos teclados especiais do próprio Tim. 'O cinza', única parceria de Tim com Chaves (todas outras composições são apenas de Tim) tem o riff poderoso de abertura substituído por um clima delicado até a melodia explodir em mil pedacinhos como “o jornal arremeçado”, da letra da canção – que descreve um dia nubloso em São Paulo de forma poética e singela.

'Ai ai como eu me iludo' poderia ter sido gravada por Otis Redding, caso este falasse português, mas cabe bem no arranjo poderoso d'O Terno'. Canção calcada no órgão Hammond de Pedro Pelotas, onde Tim apresenta mais uma crônica pessoal do cotidiano. 'Quando estamos todos dormindo' tem o órgão Saema de Marcelo Jeneci e mostra uma das teorias malucas de Tim, onde ele especula sobre o que fazem as pessoas enquanto dormem. “Porém saibam que o sonho é o que é real de fato, e o que era concreto na verdade é abstrato”, diz ele na letra.

Em 'Eu confesso' Tim trás mais uma análise pessoal psicológica das pessoas em si, seguida por 'Brazil' com letra em inglês e uma versão lúdica e fantasiosa dos cenários tupiniquins – com direito a selva criada em estúdio pela banda e auxílio de Gabriel Basile. 'Pela metade' tem mais outra crônica característica de Tim, com sua letra conversada e cantada – como um papo de amig...

'Medo do medo' tem participação de Tom Zé e mostra o domínio da banda em criar uma atmosfera que encaixe no sentido das letras. 'Eu vou ter saudades' tem a mesma atmosfera soul e a mesma participação de Pelotas no órgão Hammond, bem como o lap steel de Luiz Chagas (guitarrista da 'Isca de Polícia'). 'Vanguarda?' ou 'Filhos da Vanguarda (ou não)' faz um belo relato sobre a situação do jovens artistas paulistanos, que cresceram sob as influências familiares, ou não, da 'Vanguarda Paulistana'.

Em 'Quando eu me aposentar' Tim sugere que a hora de descansar está diretamente relacionada com a sensação de ter completado algo na vida – mas que este sentido dá-se apenas no presente. 'Desaparecido' trás outra letra característica de Tim, com um história fabulosa de ficção-científica envolvendo clones, sequestro e crises existenciais – com participações de André Vac nas rabecas e Gabriel Milliet no sax e flautas.

Através do “desespero doentio de quem não sabe enfrentar o vazio”, 'O Terno' encerra o disco com delicadeza suficiente para deixar a sensação de que falta alguma coisa... Pois a verdade é que falta mesmo... Dê play novamente, que você descobrirá o que é...

2014 O Terno

1. Bote ao contrário
2. O cinza
3. Ai, ai, como eu me iludo
4. Quando estamos todos dormindo
5. Eu confesso
6. Brazil
7. Pela metade
8. Medo do medo
9. Eu vou ter saudades
10. Vanguarda?
11. Quando eu me aposentar
12. Desaparecido

domingo, 31 de agosto de 2014

VOCÊ É DAQUELES QUE AINDA PENSAM EM TER IDÉIA

Estrela Ruiz Leminski apresenta uma seleção de belas canções compostas pelo pai, o poeta curitibano Paulo Leminski.


Após o ótimo álbum lançado em parceria com Téo Ruiz, 'São Sons', sob a alcunha de 'Música de Ruiz', Estrela Ruiz Leminski selecionou um diversidade fantástica de canções da obra musical de Paulo Leminski, o poeta marginal de Curitiba, para o álbum 'Leminskanções'.

O disco duplo separa-se em dois momentos distintos da obra de Leminski – o disco um, 'Essa Noite Vai ter Sol', apresenta um punhado de composições próprias do poeta, enquanto o disco dois, 'Se nem for Terra, se Transformar', mostra diversas parcerias com grandes nomes da música brasileira, como Itamar Assumpção, Moraes Moreira, Zé Miguel Wisnik, Edvaldo Santana e até William Shakespeare.

Com produção musical de Fred Ferreira e Natalia Malo, o álbum trás participações especiais de gente como Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, Zelia Duncan, Ná Ozzetti, Serena Assumpção e Bernardo Bravo. Os músicos que gravaram o disco com a cantora receberam o nome de 'Os Paulêra', enquanto ela se apresenta agora como Estrelinski.

O disco é uma mistura de diversos ritmos e segundo Estrelinski os arranjos foram feitos baseados no que o próprio pai ouvia em casa. Por isso é fácil encontrar o reggae com pegada moderna como em 'Filho de Santa Maria' e 'Sou legal eu sei'. Mas também há o rock pungente como em 'Razão', 'Essa voz está sendo ouvida em Marte' e 'Hard feelings', ou com groove balanceado brasileiro de 'Ogum', 'Não mexa comigo' e 'Promessas demais'.

Num álbum duplo, também há espaço para a estranheza dodecafônica, tanto apreciada por Leminski, de 'Desilusão', 'Transformar' e 'Diversonagens suspensas', composta em parceria com a cantora e co-produtora do disco Natalia Malo. Outra mistura inusitada culturas e ritmos dá-se no âmbito de canções como 'Sinais de haicais' e 'Luzes', que mescla ska com folk norte-americano.

'Verdura', 'Mudança de estação' e 'Dor elegante' já são conhecidas do atento ouvinte por outras vozes, mas receberam tratamento elegante e afetuoso da cantora Estrelinski e suas estrelas, 'Os Paulêras'. Caetano, o pessoal d'A Cor do Som' e Itamar não “sofreram nessa última hora” com a releitura de suas canções em parceria com Leminski.

As belas baladas são o xote 'Se houver céu', o rock 'A você amigo', a etérea 'Navio', o blues 'Live with me', o jazz 'Hoje tá tão bonito' e a pop 'Oxalá'. O disco duplo encerra com a bucólicidade de 'Nóis fumo', parceria entre Leminski e Alice Ruiz, pais da cantora Estrelinski.

Como o pai, Estrelinski é uma artista inquieta. Além de cantora e compositora é poetisa e estudiosa da cena musical independente brasileira – lançou o livro 'Contra Industria' sobre este cenário atual e outras diversas obras poéticas.

2014 Leminskanções

Disco 1
1. Desilusão
2. Ogum
3. Razão
4. Verdura
5. Não mexa comigo (ft. Arnaldo Antunes)
6. Filho de Santa Maria
7. Se houver céu (ft. Zeca Baleiro)
8. Luzes
9. A você amigo
10. Navio
11. Mudança de estação
12. Essa voz está sendo ouvida em Marte
13. Valeu
14. Adão

Disco 2
1. Diversonagens suspensas
2. Dor elegante
3. Sinais de haicais (ft. Zelia Duncan)
4. Transformar
5. Live with me (ft. Ná Ozzetti)
6. Hard feelings (ft. Serena Assumpção)
7. Hoje tá tão bonito
8. Oxalá
9. Sou legal eu sei (ft. Bernardo Bravo)
10. Promessas demais
11. Nóis fumo

domingo, 24 de agosto de 2014

NONADA É O JUDAS NO MEIO DA RUA ou DO AUTO-EXÍLIO AO RENASCIMENTO

A banda 'Judas' mistura a viola caipira com rock e pop, para criar um estilo único intitulado como “hard-roça”.



A banda brasiliense 'Judas' nasceu do processo de reinvenção do compositor Adalberto Rabelo Filho – paulistano típico com raízes em Pernambuco e Rio de Janeiro. São dele as composições da banda 'Numismata' e as parcerias com Thadeu Meneneghini para a banda 'Vespas Mandarinas'.

Quanto veio para Brasília, Adalberto passou por dificuldades pessoais, mas encontrou no mesmo cerrado do auto-exílio a ideia que faltava a sua redescoberta como artista. Foi com a viola caipira do cerrado característico da cidade, que ele ressurgiu com um punhado de belas canções. Com as composições prontas, Adalberto buscou um time de músicos para personificarem as canções e dar-lhes uma forma definitiva.

Com produção, guitarra e baixo de Kadu Abecassis, viola caipira e violão de Fábio Miranda, piano e teclados de Helio Miranda, bateria de Augusto Coaracy e algumas participações especiais, Lucas Muniz na sanfona e clarone, Janaina Pereira ('Bicho de pé') nos vocais e Fernando Rodrigues ('Pé de Cerrado') na percussão e no baixo em algumas músicas.

'Nonada' abre o álbum com a analogia do sentido da palavra – na obra de Guimarães Rosa têm o significado de “ninharia” ou “coisa de pouco valor” – com a forma que a cultura popular é tratada atualmente. Composta em parceria de Adalberto com Fábio Miranda, que também compôs 'Flor do Agave', uma ode à redenção pela flor do título, que brota uma única vez para morrer dando lugar a novos frutos.

'Adeus violeiro' traz a primeira participação da cantora Janaina Pereira. Seguida por 'Mormaço', que releva o sentimento de que o “sertão está em todo lugar”. Em 'Canção do exílio' Adalberto remete ao texto de Gonçalves Dias, 'Canções do Exílio', ao mesmo tempo em que fala pela primeira vez da sensação de estar auto-exilado na capital do país. Já na canção seguinte, Adalberto assume a posição de candango nato em 'Cobra criada', com participação de Dillo Daraujo e Pio Lobato nas guitarras.

'Caim' sugere uma suposta formação de uns 'Novos Goianos', através da influência de Raul Seixas e dos 'Novos Baianos'. 'Entradas e bandeiras' trás a participação de Cacai Nunes na viola de cocho, numa alusão ao êxodo e ao desbravamento. 'De Comala a Macondo' mistura o realismo fantástico do mexicano Juan Rulfo com o do colombiano Garcia Marques e com o brasileiro João Cabral de Mello Neto.

'Dobrado' é a delicadeza na forma de canção com a mistura do blues com o cancioneiro popular violeiro. 'Lugar público' tem a participação da rabeca de Siba Veloso e a voz de Janaina Pereira. De certa forma, uma homenagem a José Agripino de Paula.

O disco encerra com 'Pássaro azul', uma canção de duplo sentido, que traduz o sentimento de encerramento de um ciclo. Existe ainda uma faixa escondida, 'Muçurana', uma singela reflexão que representa o “Oroboro” – uma serpente (ou dragão) que morde a própria cauda – reforçando o próprio significado do álbum.

Por isso, o álbum 'Nonada', que saiu pela 'Tratore', é uma obra coesa, que retoma a tradição das canções populares e subverte as próprias composições, trazendo-as à atmosfera atual e contemporânea.

Seguem algumas linhas da conversa que tive com o mestre Adalberto...

Como foi que você teve a certeza do que seria músico e compositor?

Eu não tenho certeza ainda.
Na verdade, eu acho que a música é mais um meio de expressão da minha poesia. Eu sou mais letrista, gosto da disciplina que a música obriga as palavras a assumirem, mas todas as melodias e a maior parte das harmonias eu faço também pra dar sentido emocional ao que estou tentando transmitir.
Diria-se o singer songwriter (cantor compositor em português). Acho que o Leonard Cohen seria o exemplo óbvio de referência.

E quanto ao 'Numismata'? A banda acabou? O último disco foi de 2009...

O 'Numismata' não acabou, ele existe ainda, de certa forma. Nesse mês a gente lança os lados B que ficaram de fora do 'Chorume' (2009) na plataforma digital – o disco vai se chamar 'Jenkem' e sai no dia 27 de agosto.

E como surgiu a ideia do 'Judas'?

Cara, eu cheguei aqui em Brasília e tive alguns percalços e o 'Judas' é a personificação desse caminho de reinvenção de mim como artista.
É um personagem que eu usei pra transcender essas dificuldades e ao mesmo tempo buscar a identificação das pessoas. O exilado, o proscrito em sua busca de redenção, o pária alfa.

Você não acha que o nome 'Judas' carrega uma imposição negativa?

Eu acho. Mas a intenção é essa. De se colocar na posição de condenado, pras pessoas ao mesmo tempo escurraçarem e se identificarem, que nem na malhação do Judas. Iisso permite que role uma sinceridade no “condenado”, uma liberdade. Tipo assim, é muito massa almejar ser Jesus, é legal tentar seguir São Francisco, mas todo mundo é Judas.
O importante é que a galera entenda que a identificação é com as falhas, que o ser humano é falho como o Judas. É uma lógica reversa da galera se olhar no espelho invertido e ver que não se pode julgar ninguém.
Porque no final todo mundo está sujeito ao erro. Falar a verdade e dar a real com liberdade, por isso pus a gente nessa situação de erro. Porque liberta.

É incrível que esse sentimento seja extravasado usando a viola caipira, que é uma forma de arte mais antiga e até discriminada...

É por isso que é legal. Porque como terreno inexplorado é riquíssimo em possibilidades, da mesma maneira que se releu o maracatu, o samba ou o frevo. E faz essa ponte do cerrado, com São Paulo, minha terra natal. Porque a viola é essencialmente paulista e é o primeiro instrumento a aportar no Brasil, com os Jesuítas. E nada mais justo que uma banda chamada 'Judas' venha levar a viola prum terreno mais pop.
Fora que eu acho que isso é natural no pop, como o manguebeat. É a possibilidade cíclica do tempo e da eterna renovação das coisas, como diziam Leminski e Wally Salomão (sobre a poesia do futuro).
Se eu fosse definir melhor, diria que é uma retomada de fé no formato de canção popular. A retomada de fé numa banda chamada 'Judas' – é própria expiação pelos pecados.
Mas a gente foi atrás de certa sonoridade híbrida, claro. Misturando as referências de regionalismo com as referências do que é "pop". E as letras fazem a liga...

E o que você está esperando alcançar com esse trabalho?

Eu espero que a galera se interesse pela proposta “diferente” e ouça bastante e curta as letras bastante também...

2014 Nonada

1. Nonada
2. Adeus, violeiro
3. Mormaço
4. Canção do exílio
5. Cobra criada
6. For do Agave
7. Caim
8. Entradas e bandeiras
9. De Comala a Macondo
10. Dobrado
11. Lugar público
12. Pássaro azul
13. Muçurana

domingo, 17 de agosto de 2014

O AMOR MORA EM ROMA NUM RAMO DE AMORA

Banda paulistana de multi-instrumentistas cria universo lúdico através da música brasileira e outros ritmos.



Entre marchinhas, samba-canções, ragtime, choro e vários outros ritmos, misturados ou não. A banda 'Pitanga em Pé de Amora' apresenta a delicada mistura de afrobeat com baião, marchinha com a fanfarra do leste europeu, entre tantas outras uniões inusitadas.

O grupo é formado por Angelo Ursini na flauta, clarinete, sax e voz; Daniel Altman no violão 7 cordas, guitarra e voz; Diego Casas no violão e voz; Flora Popovic na voz e percussão e Gabriel Setubal na guitarra, trompete, violão e voz.

Com diversos convidados especiais eles apresentam um disco singelo e bem delineado. Com participações de gente como de Mônica Salmaso, Teco Cardoso (flauta e sax alto e barítono), Lulinha Alencar (sanfona e piano), Bruna Caram, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Silas de Oliveira, da banda 'Batuntã', entre outros.

O álbum 'Pontes para Si' abre com a canção 'O pescador' com os sopros do 'Batuntã', seguida pela delicadeza de 'Tempo novo', que dá lugar ao samba torto em 'Insônia'. A voz de Mônica Salmaso imprime beleza na canção 'Ceará', que logo dá lugar a mistura incrível do baião com o afrobeat em 'Baião de Fela'.

'Alma de poeta' é um samba épico com força para ser entoado em uníssono nas arquibancadas dos sambódromos. Enquanto 'Sonhos lúcidos' apresenta nova interferência da banda 'Batuntã' e 'Razão de ser' denota clara beleza entre as vozes e instrumentos, com letra inspirada em poesia de Paulo Leminski.

'Descompasso', 'Levantar respirar', 'Feito morrer', 'Oração' e 'Alpinista' mostram a delicadeza dos arranjos simples que se transformam numa suite de rara beleza. 'Marchinha', que encerra o álbum, apresenta a mistura das marchas com o ragtime, com o frevo, com a fanfarra do leste europeu e com o funk carioca.

Um disco imperdível para os amantes da música brasileira – uma obra ímpar muito bem produzida por Swami Jr.

2014 Pontes para Si

1. O pescador
2. Tempo novo
3. Insônia
4. Ceará
5. Baião de Fela
6. Alma de poeta
7. Sonhos lúcidos
8. Razão de ser
9. Descompasso
10. Levantar respirar
11. Feito morrer
12. Oração
13. Alpinista
14. Marchinha

domingo, 10 de agosto de 2014

ENTRE A LOUCURA E A LUCIDEZ DE TATÁ AEROPLANO

Tatá Aeroplano vive na loucura e lucidez, entre tantos personagens, que saem todos na forma de performances, canções e danças aeroplânicas.


Nasceu em Bragança, fundou a banda 'Jumbo Elektro' e depois o 'Cérebro Eletrônico', mas destaca-se também pelo trabalho solo, iniciado em 2012, com o álbum homônimo. Este é Tatá Aeroplano, o cantor, compositor, dançarino, ator, cronista, boêmio e entidade cósmica.

'Canga Louca' é apenas mais um dos tantos personagens incorporados por Aeroplano, num frenesi esquizofrênico de “happenings” e mini seriados momentâneos de loucura exótica e sensorial. A exclamação costumaz, “Misterrrrrrr”, é carregada de simbologias da mesma forma que exagera no som dobrado da letra “R”. Mas isto é somente a figura ímpar de Tatá Aeroplano.

Suas canções representam todas essas facetas e personagens bem humorados e sensuais, que ao mesmo tempo são espalhafatosos e loucos ou singelos e tímidos. Já no segundo álbum solo – Tatá lançou mais um álbum com a banda 'Cérebro Eletrônico' em 2013, o 'Vamos pro Quarto' – ele apresenta uma obra conceitual cheia de boas referências e experimentações.

'Na Loucura e na Lucidez' representa uma crônica cronológica sobre o fim dos relacionamentos amorosos. O disco começa com o desespero de 'Na loucura', representando o sentimento de perda de todo final da paixão. “Peguei um álbum antigo e botei pra chorar”, diz Tatá em parte da letra, fazendo uma bela analogia entre a música e os breves amores.

Na sequência em 'Amiga do casal de amigos', aparecem os amigos de verdade, que no intuito de minimizar o sofrimento da pessoa dispensada, oferecem consolo na companhia de outras possíveis parcerias amorosas – como fossem cafetões-sem-fins-lucrativos.

'A hora que eu te espero' é uma parceria entre Tatá Aeroplano com Alan Brasileiro, que enviou parte da letra através de comentários no site do cantor. Uma música que representa a calmaria após a tempestade de desespero e fúria. Essa canção antecede o sentimento de auto-descoberta do ex-cônjuge.

Mas antes dessa auto-descoberta, o indivíduo é retratado através da luxúria em 'Mulher abismo' e 'Entregue a Dionísio', que remetem às orgias de sangue, sêmem e vinho. Já em 'Onde somos um', Tatá apresenta um casal de parceiros – com a poesia do poeta ArrudA e o vocal de Bárbara Eugênia.

'Perdidos na estrada' trás o nascer de um novo amor. O amor a si próprio – enfim o auto-descobrimento. Uma reflexão na forma de atestado de encerramento de um ciclo, com 'Na lucidez'.

2014 Na Loucura e na Lucidez

1. Na loucura
2. Amiga do casal de amigos
3. A hora que eu te espero
4. Mulher abismo
5. Entregue a Dionísio
6. Onde somos um
7. Perdidos na estrada
8. Na lucidez

domingo, 3 de agosto de 2014

ANELIS E SEUS MARAVILÓPTIMOS AMIGOS IMAGINÁRIOS

A cantora Anelis Assumpção lança o segundo álbum da carreira e segue proliferando a riqueza da música brasileira.



Quando iniciou o processo de gravação do segundo disco, Anelis Assumpção junrtou-se com uma banda de amigos e parceiros para encorpar as canções com arranjos cheios de groove e suingue.

A banda que a acompanha segue com Bruno Buarque na bateria, Mau no baixo, Cris Scabelo e Lelena Anhala nas guitarras e Zé Nigro nos teclados – pois são eles os 'Amigos Imaginários' de Anelis.

O álbum apresenta muitas canções com arranjos de metais com as participações de Edy no Trombone, Cuca Ferreira no sax-barítono, Natan de Oliveira no trompete e Jaziel Gomes no trombone-baixo e também diversas percusões gravadas por Maurício Badé – mais alguns 'Amigos Imaginários'.

A duas faixas de abertura são o groove fantástico de 'Cê tá com tempo?' e do mambo-salsa 'Eu gosto assim' – duas canções compostas pela própria cantora, que são puro DNA. O disco também tem outra canção balançante em 'Toc toc toc' e com o dueto com Russo Passapusso, do 'BaianaSystem', em 'Devaneiros'.

Se o reggae, ska e dub já estavam presentes no primeiro álbum 'Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não sou Santa' de 2011, essas referências continuam presentes no novo disco e estão representadas em faixas como 'Por que?'; 'Mau juízo', com Lucas Martins nos vocais e Teresa Iara nos efeitos; 'Inconcluso' com Micaela Wernicke nos vocais; e 'Song to Rosa', um maravilhoso ska meio samba-jazz com participação de CéU e Thalma de Freitas nos vocais – as irmãs de alma de Anelis, as 'Negresko Sis'.

Mas o álbum também tem o samba-noize 'Declaração', com participação de Kiko Dinuddi e Rodrigo Campos esmerilhando nas guitarras. Assim como o rockenrou 'Minutinho', composto por Anelis em parceria com Alzira E., Jerry Espíndola e ArrudA. O disco encerra com a cumbia-axé 'Deuso Deusa'.

O que extrapola no novo trabalho da cantora Anelis, é sua forma peculiar de misturar os estilos e imprimir em ritmos tradicionais estrangeiros o tempero brasileiro, que faltava nesse caldeirão.

Ouça com nenhuma moderação, mas cuidado para não espanar a “zurêia” com esse som sensacionóptimo.

2014 Amigos Imaginários

1. Cê tá com tempo?
2. Eu gosto assim
3. Mau juízo
4. Inconcluso
5. Por quê?
6. Devaneios
7. Toc toc toc
8. Song to Rosa
9. Declamação (intro)
10. Declaração
11. Minutinho
12. Deuso Deusa

domingo, 27 de julho de 2014

MOCAMBO DE MARIMBONDO DO AFROELECTRO

Com um disco lançado em 2012, o 'Afroelectro' lança um EP com novas composições, que servem como ponte entre o primeiro trabalho e o próximo álbum.  



A banda 'Afroelectro' faz uma incursão no universo dos cânticos do candomblé, do tambor de criola maranhense, do cavalo marinho pernambucano e da capoeira de angola.

Com o novo EP, 'Mocando', o 'Afroelectro' representa a grande diversidade de ritmos brasileiros e coloca todas estas influências em prol das canções. A banda é formada por Sérgio Machado na bateria, teclados, programações e vocais, Michi Ruzitschka nas guitarras e vocais, Meno del Picchia no baixo e vocais, Mauricio Badé na percussão e vocais e Denis Duarte nos loops, percussão e vocais.

O EP foi gravado ao vivo no estúdio 'Traquitana' em São Paulo e funciona como um registro demo das canções, que posteriormente estarão no segundo álbum da banda.

2014 Mocambo EP

1. Marimbondo
2. Sereno
3. Rainha soube o que fez
4. Samburá vazio
5. Banzeiro grande

domingo, 20 de julho de 2014

SIGA PELA INFINITA AVENIDA DO HOLGER

Banda 'Holger' apresenta álbum digital com demos, covers e raridades do período entre 2006 e 2013.



A banda 'Holger' nasceu em 2006, com o intuito de misturar indie rock com outros ritmos brasileiros.

Formada por Bernardo Rolla no vocal, percussão, guitarra e baixo, Arthur Britto na bateria, vocal, percussão e guitarra, Marcelo Altenfelder na guitarra e vocal, Pedro Bruno no baixo, vocal, percussão, teclado e guitarra e Marcelo Vogelaar no vocal e guitarra.

Após do EP de estréia, 'The Green Valley', a banda lançou os álbuns, 'Sunga' de 2010 e 'Ilhabela' de 2012 e segue agora para o lançamento digital de 'Lados B (2006-2013)', onde apresenta covers dos 'Paralamas do Sucesso' e do 'Ultraje a Rigor', demos de algumas canções, bem como remixes e versões ao vivo.

O disco tem participações especiais do 'Bonde do Rolê', de André Paste, Karol Conká, João Parahyba (do 'Trio Mocotó'), Miss Bolivia, 'El Remolon' e 'Mumdance'.

2014 Lados B (2006-2013)

1. Pedro (demo 2011)
2. Gonna get you (2011)
3. Recuerda de ti (2008)
4. Me leva pra nadar (2013)
5. Alagados (2011)
6. No brakes (demo 2009)
7. Please don't take the guilt (2011)
8. Brand new t-shirt (primeira gravação 2006)
9. Infinita Tamoios (ao vivo)
10. Mim quer tocar (2012)
11. Wet memories (2008)
12. Tonificando (primeira versão 2011)
13. ABAIA (primeira versão 2011)

domingo, 13 de julho de 2014

O FIM DO MUNDO ESTÁ PRÓSPERO

A banda 'Meia Dúzia de 3 ou 4' criou a trilha sonora oficial para o fim do mundo, mas o mundo não acabou... Então ouça a trilha sonora... 



Depois de falar do álbum mais recente da banda paulistana 'Meia Dúzia de 3 ou 4', fica difícil não falar do projeto anterior. O disco 'O Fim está Próspero', lançado no final de 2012, mas que foi produzido durante quase dois anos.



A banda partiu da premissa da proximidade do apocalipse e juntou-se com grandes nomes da música brasileira como Tom Zé, Arrigo Barnabé, Wandi Doratiotto, Suzana Salles, Mauricio Pereira, André Abujanra, entre outros.



Aproveitando um bom alcance digital, a banda criou diversos vídeos, junto com as respectivas canções, que já contavam com inúmeras participações especiais. Cada canção ainda possuía o respectivo teaser, devidamente publicado nas redes sociais da própria banda.



Definitivamente os 'Meia Dúzia' mantêm a tradição vanguardista de misturar diversos ritmos e formatos para atingir a meta – o álbum que você encontra, abaixo, ao alcance de um clique.



Já que o mundo não acabou... Você pode ao menos ouvir a trilha sonora. Divirta-se.

2012 O Fim está Póspero

1. Classificados (+ Tom Zé)
2. Esquecimento global
3. De novo, Christina! (+ André Abujanra)
4. Problemas de eleição
5. Pesinho na consciência (pézinho no saco da mãe Natureza)
6. Samba do desenredo para o fim dos tempos (+ Danilo Moraes + Wandi Doratiotto)
7. O ser humano é muito bobo (+ Suzana Salles)
8. Na reserva (+ Ligiana)
9. Ne cutuque (+ Arrigo Barnabé)
10. Nibiru geral (+ Ana Gilli + Mauricio Pereira)
11. 365 bons motivos pro mundo acabar (+ Projeto Coisa Fina)

domingo, 6 de julho de 2014

COMO FOI QUE EU NUNCA OUVI ISSO ANTES? ou TEM SAMBA NO MEIO DO VÃO

A banda paulistana 'Meia Dúzia de 3 ou 4' assume a influência da 'Lira Paulistana' e permite que a vanguarda deste movimento continue a emanar frequências sonoras de alto teor melódico.



O 'Meia Dúzia de 3 ou 4' é formado por Thiago Melo tocando violão e cavaquinho, Daniel Carezzato na percussão, Luiza Toller na escaleta e piano, Marcos Mesquita no baixo, Mike Reuben na flauta e sax, Sérgio Wontroba na clarineta e sax e Arnaldo Nardo na bateria – todos cantam em perfeita harmonia.

Juntos eles criam uma atmosfera sensorial que vai desde Itamar, Arrigo, 'Rumo', 'Trapo', 'Mulheres' ao 'Premê', bem como a outras essenciais referências musicais, de 'Novos Baianos' a Amália Rodrigues. Mas em todo esse caos, reina a mais pura harmonia.

Depois de dois discos conceituais, neste universo de vanguarda: o primeiro, 'Tudo se Transforma', foi lançado em 2009 com uma embalagem “ecologística”; e o segundo em 2012 num formato audio e visual que prenunciava o apocalipse em 'O Fim está Próspero' – a banda lança agora o resultado de novas experimentações em 'Tem Muito Disso Que Cê Tá Falando'.

O álbum abre com o prenúncio de uma nova era. Após do fim do mundo, em 'A Ordem dos Músicos' não altera o produto', que antes era apenas uma brincadeira com a máxima matemática, agora vira realidade para a própria entidade de classe.

Em 'À nível do Masp' eles emulam o mestre Itamar através da crítica ácida e áspera da cidade em si, assim como 'Verbo expediente'. Já no samba de breque 'Maquiavel para crianças', eles fazem uma divertida crônica que mistura o 'Príncipe' de Maquiavel com o 'Pequeno Príncipe' de Exupery num boteco carioca – há também existe a referência ao título da canção dos 'Mulheres Negras', 'Lobos para crianças'.

Com os 'Meia Dúzia' tudo se mistura e forma um círculo coeso entre as diversas influências, como o fado em 'Dobre sua língua' ou a armadilha dos alertas do feicibuqui e zapizapi como elemento de poesia concreta na canção 'Meio boa'.

Nem só de samba vivem os 'Meia Dúzia', que como todo bom brasileiro apresenta boa cancha em outros ritmos latinos como em 'Cavucada' e 'Pereirando'.

'Meia Dúzia de 3 ou 4' é uma banda bem brasileira, com a transgressão característica, que coube aos grandes mestres da 'Lira Paulistana'.

2014 Tem Muito Disso Que Cê Tá Falando

1. A Ordem dos Músicos não altera o produto
2. À nível de Masp
3. Verbo expediente
4. Maquiavel para crianças
5. Pereirando
6. Dobre sua língua
7. Duro e de matar
8. Como diz o outro
9. Deus me livre e guarde de você
10. Tchau, Cristina!
11. Meio boa
12. Cavucada
13. Arrastão sonoro
14. Pré-pagode

segunda-feira, 30 de junho de 2014

AMOR QUE FOI DE PLÁSTICO FICOU TODO EM PEDAÇOS

Deboche, ironia e sagacidade são apenas alguns detalhes que sobressaem na performance da 'Madame Rrose Sélavy'.



A banda belohorizontina, 'Madame Rrose Sélavy', apresenta o que é um dos mais fieis registros de uma de suas apresentações – no Teatro Klauss Viana na capital de Minas Geraes.

Este álbum, 'Bootleg ArteSônica', é o segundo ao vivo da banda e também o que mostra o melhor recorte auditivo do “happening” que é o espetáculo desta banda punk moderna. Com uma performance inspirada eles desfilam clássicos autorais e demonstram presença de palco e completa abdução do público.

Neste show, durante a Mostra Arte Sônica de BH, a banda apresentou um show com uma formação inusitada. Com Miguel Javaral no baixo, Rodoxter Woorooboo na bateria, Lacerda JR e Alex Pix nas gitarras e Ana Mo e Tuca nos vocais – mostrando um “delícioso punk flow”.

Destaque para as inéditas 'Pano & osso' e 'Amor de plástico', prometidas para o próximo álbum, 'Eletrofrevo' – sem previsão de lançamento.

Enquanto o novo disco não vem – fique com este registro ao vivo de um espetáculo sem igual.

2014 Bootleg ArteSônica

1. Atriz na high society
2. Ônibus lotado
3. Canção que ninguém canta
4. Merda pela grama
5. Moça da novela
6. Só você que não vê
7. Ninguém
8. Pano & osso
9. Inteligência artificial
10. Deixe os remédios
11. Amor de plástico
12. Bomba
13. Bulimia
14. Monalisa de bigode

domingo, 22 de junho de 2014

BAU NOVO DE GRANDES NOVIDADES

Banda Goiana apresenta um samba contemporâneo cheio de referências modernas numa batucada ancestral. 



A banda 'Baú Novo' é novinha, recém-criada em 2012, mas possui uma ancestralidade encrostada na alma. Tudo isso por causa do estilo musical – o samba. Mas não é um samba qualquer.... Eles remetem ao breque Morengueira, sagacidade Noelística e à todo ziriguidum dos antigos mestres sambistas, com uma pitada de modernidade.

Junto com a nova geração de sambistas modernos, o pessoal do 'Baú Novo' deliciam o ouvinte com uma delicadeza característica do chapadão goiano. Formada por Deny Robert e Kátia Helenice nos vocais, Pedro Jordão no violão, Anderson Vinicius no cavaco, Muryllo Gomes na bateria, Waguinho PG na percussão e Rozinaldo Miranda no sax e flauta.

O EP 'Grito' foi lançado no final de 2013 e chamou atenção logo de cara com os acordes da canção que dá título ao single, e faz uma crítica sagaz à atual situação social. Seguida pela bem humorada 'Goiânia de samba', que brinca com o pré-conceito de que na capital de Goiás só existem sertanejos em dupla ou carreira solo. Com cavaco, surdo e pandeiro eles tocam a boiada.

'Mania de mim' se revela um samba-canção delicado e sutil, seguido pelo samba-metal-pesado de 'Canto liberdade'. O grupo promete um LP completo para o final do ano e desde já deixa a curiosidade aguçada com a possibilidade de uma obra cheia de vigor e originalidade.

Dois mineiros, dois goianos, um brasiliense, um alagoano e outro de Recife, a banda 'Baú Novo' apresenta até em sua formação a diversidade deste país, com um samba moderno e contemporâneo.

2013 Grito EP

1. Grito
2. Goiânia de samba
3. Mania de mim
4. Canto liberdade

domingo, 15 de junho de 2014

AH É O SOM SAMBANZO AO VIVO

Thiago França lança mais um registro evolutivo de seu próprio processo criativo em outro estado e com diferentes parceiros. 



O 'Sambanzo' de Thiago França acontece de forma intuitiva e improvisada – talvez de uma forma bem mais organizada que os eventos com a outra banda do França, o 'MarginalS' e bem menos que mais uma outra banda do França, o 'Metá Metá'.

O primeiro álbum da banda foi 'Etiópia' lançado digitalmente e depois em formato digipack em 2012. Da forma como foi concebido, o disco foi gravado. Como um registro ao vivo realizado com muita urgência.

O que não influenciou o resultado nem a qualidade da obra, gravada com França nos sopros, Kiko Dinucci no violão e guitarra, Marcelo Cabral no baixo, Pimpa na bateria e Samba Sam na percussão.

Como o próprio França alardeia na descrição desse novo produto, o álbum 'AH!', é uma “versão carioca quase paranormal do disco ao vivo, show sem ensaio com a galera tocando junto esse repertório pela primeira vez. Gravado na Audio Rebel no dia 4 de fevereiro de 2014”.

Isto é, gravado ao vivo com o pessoal do Rio de Janeiro tocando o mesmo repertório do álbum gravado em São Paulo. Incluindo duas canções não presentes no álbum de 2012. Uma canção do EP 'A Espetacular Charanga do França', 'Cumbia, cumbia' e outra inédita, 'Ngoloxi'. Com França no saxofone tenor, Gustavo Benjão na guitarra, Pedro Dantas no baixo e Thomas Harres na bateria.

Enfim, o jejum de um artista viciado em lançar discos – sejam digitais ou não. Uma pérola do novo cancioneiro popular brasileiro.

2014 AH!

1. O sino da igrejinha
2. Xangô
3. Tilangueiro
4. Cumbia, cumbia
5. Ngoloxi
6. Capadócia
7. Etiópia
8. Risca-faca

domingo, 8 de junho de 2014

O SOM DAS ALMAS GRANDES

Banda formada no Rio de Janeiro apresenta uma mistureba de influências e referências, que extrapolam as diversas formas de arte. 



A banda 'Mohandas' faz referência a diversos artistas em uma mistura cosmopolita, que reflete a influência de vários ritmos e estilos.

O 'Mohandas' tem voz e percussão de Bel Baroni, Dudu Lacerda e Nana Orlandi, teclados e sintetizadores de Diogo Jobim, baixo e percussão de Pedro Rondon e guitarra, voz e percussão de Micael Amarante.

Em 'Saudade do Pará' eles apresentam o carimbó legítimo daquele estado. Com participação de Rian Batista no baixo – que também produziu o álbum – junto com os barulhinhos e efeitos eletrônicos de Dany Roland.

Seguindo as reverências latinas eles apresentam a 'Cumbia', misturada com o reggae – no melhor estilo Quantic – numa canção instrumental que declama a situação social da América Latina. Com participação de Estevão Benfica Senra no charango.

Na bela 'Fidalgo', eles criam um reggae franco-latino – que emula Mano Chao – com um final climático apoteótico percussivo. Em 'Mohandas' eles aceleram para o ska numa versão dub com percussões de Flávio Santos (alfaia) e Pablo Friedman (djembê) – ele também produziu o disco, junto com Rian Batista.

A banda também apresenta canções mais eletrônicas, que experimentam o “indie-pop” e apresentam letras simples e pegajosas como 'Monkey dance', 'Take a shower' e 'George Clooney' – que ironiza a publicidade protagonizada pelo ator, na qual ele serve um café expresso a uma desconhecida.

'Djeredjere' também tem introdução eletrônica, mas se desvela como uma balada singela e introspectiva. 'Kite' apresenta um dia de verão com bom vento para praticar o esporte conhecido como “kite-surf”, ou surfe de pipa em português.

Em 'Rasul' eles se apropriam da canção 'Milagreiro' de Djavan como música incidental e criam uma peça musical de oito minutos com uma exuberante ode mística e exotérica.

Com o álbum 'ETNOPOP', lançado em 2012, o 'Mohandas' desfila uma série de sonoridades para compor uma obra cheia de referências a diversas formas de arte.

2012 ETNOPOP

1. Saudades do Pará
2. Monkey dance
3. Cumbia
4. Figaldo
5. Djeredkere
6. Kite
7. Rasul (Milagreiro)
8. George Clooney
9. Take a shower
10. Mohandas