domingo, 17 de maio de 2015

DESCULPE A GENTILEZA QUE EU DESCULPO O EMPURRÃO

Banda pernambucana segue como referência no cenário musical brasileiro com novo disco cheio de peso.  


A banda 'Eddie' está para o rock brasileiro, como o AC/DC está para o rock mundial. Os caras do 'Eddie' não esmorecem nunca, estão sempre em turnê e lançando discos relevantes e não têm medo de experimentar.

Pois foi como um mutante em constante metamorfose, que a banda seguiu experimentando e incorporando a mistura no próprio som. O que o som do 'Eddie' é hoje é por causa dessa experimentação e constante movimento.

Atualmente com os irmão Rob e Kiko Meira cuidando da cozinha no baixo e bateria, respectivamente, Alexandre Urêa na voz e percussão e presença de espírito, Andret Oliveira nos teclados e trumpetes e efeitos e samplers etc, tudo sob a imprescindível liderança do maestro Fabio Trummer nas vozes, guitarras e violões.

O novo álbum do 'Eddie', intitulado 'Morte e Vida', foi livremente inspirado na poesia de João Cabral de Melo Neto. Com diversas participações de integrantes afetivos como Karina Buhr e Erasto Vasconcelos, a banda segue entregando pérolas do cancioneiro popular brasileiro. 'Longe de chegar', 'Morte e vida', 'Pedrada certeira' trazem a cantora em dueto com Trummer, enquanto Erasto participa de 'Alimenta o compositor', além de ter composto a faixa que encerra o álbum junto com Trummer e os irmãos Meira. 

'Queira não', 'Quebrou, saiu e foi só' e 'Carnaval de bolso' abrem o álbum destacando a voz seca e gutural de Trummer, que soa como um bardo e profeta. O segundo lado do disco apresenta as baladas 'Tentei te ligar' e 'Meu coração' e o sambinha pernambucano 'Essa trouxa não é sua'.

A canção 'Olho você' define o 'Eddie' como a banda que mistura as guitarras do surf-music com o frevo – criando um estilo único e legítimo tupiniquim.

Como qualquer disco do 'Eddie' – imperdível! Um belo e gentil empurrão!

2015 Morte e Vida

1. Queira não
2. Quebrou saiu e foi só
3. Carnaval de bolso
4. Longe de chegar
5. Morte e vida
6. Pedrada certeira
7. Tentei te ligar
8. Meu coração
9. Alimenta o compositor
10. Essa trouxa não é sua
11. Olho você



domingo, 10 de maio de 2015

VEM ME ABUSA, REQUEBRA E ME ABDUZA

Zé Cafofinho apresentou duas canções de seu novo álbum, no ano passado, e deixou um gostinho de quero mais. 



Ainda sem notícias do novo álbum de Zé Cafofinho... E desde então seguimos ansiosos a mais essa incurssão do cabra da rabeca de encarnar numas de tocar guitarra em power trio arretado e acústico – com Areia no baixo e Homero Basilio na percussão.

O novo ábum de Cafofinho deverá ser chamado de 'Casulo' e conta com essa formação de trio, sem falar nos arranjos crus e imediatos. A canção 'Luva pele' apresenta-se como um novo hino do movimento tecnomelody – pra quem não sabe, é de Cafofinho a canção do primeiro clipe de Gaby Amarantos, a bem-humorada 'Xirlei'.

A canção 'Migratorium' segue o estilo caribenho, deixando no ar o mote rítmico do álbum. Mais um motivo de ansiosidade para essa formação de power-trio-punk-cumbia.

2014 Luva e Pele/ Migratorium EP

1. Luva pele
2. Migraotrium


segunda-feira, 4 de maio de 2015

WADO VIVE NESTE MUNDO HOSTIL

O cantor e compositor Wado apresenta disco cheio de canções pesadas, mas sem deixa a delicadeza de lado.



Wado apresenta um disco voltado mais às canções e ao roquenrou e com diversas parcerias de artistas de países como Alemanha, Uruguai, Portugal e Argentina, sem falar é claro, na pátria mãe, o Brasil mesmo.

Sempre na contramão do álbum anterior, Wado oferece aos ouvintes muito mais que letra e música, ele apresenta a própria alma pelas melodias empolgantes. O som desta vez segue bem mais pesado que qualquer disco do cantor.

Wado abre os trabalhos com 'Lar', que já demonstra ao ouvinte o que ele ouvirá a partir dali. Em 'Cadafalso', ele trás a participação de Lucas Silveira, do 'Fresno', em um belo hino em forma de canção. Depois emulando o pop-rock internacional, o cantor apresenta 'Deita' em parceira com o cantor e compositor português Samuel Úria.

'Galo' tem a delicadeza vocal da cantora mexicana Graciela Maria, numa canção de singela beleza. 'Condensa' trás as participações de João Paulo, O Martim (outro cantor e compositor português) e Belen Natali (do grupo espanhol 'Mateo de la Luna en Compañía Terrestrial'). 'Mundo hostil' tem Gonzalo Deniz, da banda argentina 'Franny Glass'.

'Menino velho', 'Sombras' e 'Palavra escondida' oferecem um respiro de suavidade em meio a todo peso do álbum. Já 'Um lindo dia de sol' encerra o disco '1977' com uma balada contemporânea, que nada lembra aquele roquenrou das primeiras faixas.

2015 1977

1. Lar
2. Cadafalso
3. Deita
4. Galo
5. Condensa
6. Mundo hostil
7. Menino velho
8. Sombras
9. Palavra escondida
10. Um lindo dia de sol

domingo, 26 de abril de 2015

PÉLICO E A EUFORIA CASUAL DE TODOS CASAIS

Cantor e compositor paulistano apresenta terceiro álbum com belas canções de sucessos instantâneos e populares. 



Pélico chega neste inicio de ano com um álbum maduro, coeso, de levada popular e recheado de belos timbres – daqueles específicos que lembram os anos 80.

Em um disco falando do amor, de paixão e de todas desventuras de todo e qualquer casal, Pélico apresenta amores do inicio ao fim.

O disco é pontuado por canções que evocam o verão em todas suas formas como em 'Sobrenatural', 'Ela me dá' e 'Repousar', que conta com a participação da atriz Leticia Spiller e da cantora Carú Ricardo.

Em 'Sozinhar-me' Pélico desenha um ska em dueto com Rafael Castro, fazendo uma referência a Moçambique e criando uma relação entre Salvador e Maputo. 'Você pensa que me engana' é um samba-choro de letra atual e com participação de Rodrigo Campos no cavaquinho e Marcelo Cabral no violão de sete cordas.

'Olha só' faz o reggae alegre e espirituoso repetir o clima de romance feliz e paixão sem limites para apresentar 'Escrevo' como um legítimo representante do “soul” triste e “blue”.

Com forte investida em synths e influencia oitentista, Pélico mostra canções que dão vontade de sair cantando e dançando no meio da rua como se estivesse dentro de um musical – como 'Overdose', 'O meu amor mora no Rio' e 'Euforia', que além de nomear o disco trás à tona toda luxúria e prazer do disco.

'Vaidoso' trás uma letra poderosa e sincera, que pode ser a melhor canção do álbum – o sucesso instantâneo escondido no meio do lado B. Em 'Meu amigo Zé', Pélico faz um apelo em forma de homenagem ao maestro Tom Zé com letra singela e inteligente de diversas referências ao “olho do furacão”.

O disco encerra com 'Calado', que mostra com delicadeza o final de um relacionamento, encerrando o círculo ao mesmo tempo que o recomeça. O que transforma a experiência auditiva proporcionada pelo álbum pode ser apreciada em repeat, loop, ou em ciclo.

2015 Euforia

1. Sobrenatural
2. Olha só
3. Sozinhar-me
4. Escrevo
5. Overdose
6. Você pensa que me engana
7. O meu amor mora no Rio
8. Ela me dá
9. Vaidoso
10. Euforia
11. Meu amigo Zé
12. Repousar
13. Calado
14. Euforia (versão acústica)

domingo, 19 de abril de 2015

A MUSA CALIENTE DE SEU PEREIRA

A banda paraibana 'Seu Pereira e Coletivo 401' acrescenta um tempero latino ao repertório e apresenta influências desde Moçambique ao Caribe.


A banda 'Seu Pereira e Coletivo 401' é formada por Jonathas Pereira nos vocais e guitarras, junto com Chico Correa, Thiago Sombra no baixo, Victorama na bateria e percussões, Daniel Lima no trombone e Felipe Gomes no trompete.

A banda 'Seu Pereira e Coletivo 401' apresenta um apanhado de músicas com latinidade a flor da pele no EP 'Musa Caliente'. A primeira canção é um reggae-valsa com batida leve e picante, a bela 'Tomara que suba', seguida por 'Moçambique' onde a banda expõe as influências do sul do Senegal, dando uma levada zouk ao som da banda.

Em 'Carimbó da Penha' o 'Seu Pereira' apresenta uma mistura do forró nordestino com o carimbó paraense. Encerrando com 'Preciosismo' entre a cumbia, a salsa e o samba-rock. Lá se vai mais uma pedrada da banda 'Seu Pereira e Coletivo 401'.

2015 Seu Pereira e Musa Caliente EP

1. Tomara que suba
2. Moçambique
3. Carimbó da Penha
4. Preciosismo

domingo, 12 de abril de 2015

ASSIM CAMINHAM OS COELHOS JURÁSSICOS

Banda mineira apresenta som instrumental misturando diversos gêneros, ritmos e estilos numa perspicaz parede de sonoridades.



Depois do excelente EP 'Tupi Novo Mundo', o 'Iconili' segue com a mesma proposta de misturar todos elementos possíveis num gênero único de sons inspirados em ritmos de matriz africana, brasileiros, jazz e até roquenrou. A banda cunhou a palavra 'Iconili' para nomear o grupo – baseada na expressão em italiano “i conigli”, que significa coelhos em português.

Agora, com o disco 'Piacó', o 'Iconili' continua a surpreender os ouvintes com belos arranjos para composições épicas. A banda tem André Orandi nos teclados e órgãos, Gustavo Cunha e Rafael Mandacaru nas guitarras, William Rosa no baixo, Nara Torres e Pedro de Filippis e Rafael Nunes e Wesley Lopes nas percussões e bateria, Henrique Staino no sax tenor, Lucas Freitas no sax barítono, João Machala no Trombone e Victor Magalhães no trompete.

A canção de abertura, 'Jorge Botafogo' é um belo exemplo de afrobeat tradicional com uma parede sonora de sopros em uníssono, guitarras pontuando a marcação, a cozinha coesa e rítmica e o órgão assumindo as intervenções. Modelo que o 'Iconili' segue rigorosamente em 'Frenética' e 'Odaniô', mas com o acréscimo da influência do batuque de matriz africana, também demonstrada em 'Vinheta'.

Com climão espacial jazzístico, o 'Iconili', apresenta a balada 'Vinicius', a dançante 'EP' e a faixa-título 'Piacó', em homenagem à região da Serra da Gandarela, onde existem diversas cavernas jurássicas. Em 'Gentil' e 'Preta de Tataqui', a banda expõe as referências latinas dos ritmos dançantes da guitarrada à salsa. 'Nego Preto' representa a inclusão da “soul-music” no repertório com belos ataques de metais e climáticos solos de saxofone.

'Mr. OK' encerra o álbum, com quase a duração de todo disco anterior da banda, o 'Tupi Novo Mundo', e serve como momento de conclusão épica a toda odisséia sonora do novo disco do 'Iconili'.

2015 Piacó

1. Jorge Botafogo
2. Piacó
3. Frenética
4. Vinicius
5. Gentil
6. Preta de Tataqui
7. Vinheta
8. Odaniô
9. Nego Preto
10. EP
11. Mr. OK

domingo, 5 de abril de 2015

DE COMO O CIDADÃO INSTIGADO CRIOU UMA FORTALEZA SONORA E EXTRAPOLOU OS LIMITES MUSICAIS COM UM ALBUM MELÓDICO E INCRIVELMENTE PESADO

Com álbum em homenagem a terra natal, o 'Cidadão Instigado' apresenta obra com peso diferenciado.


O 'Cidadão Instigado' representa a segunda fase da psicodelia nordestina, misturando o legítimo rock brasileiro com climas progressivos e psicodélicos, inspirado em diversas bandas internacionais clássicas.

A banda formada por Fernando Catatau, Regis Damasceno, Dustan Gallas, Rian Batista, Clayton Martins e Yuri Kalil chegam no quarto álbum, 'Fortaleza', acrescentando um ingrediente a mais na receita do rock tupiniquim progressivo e psicodélico – o peso “hard-rock” pode ser percebido com muito mais clareza que no disco anterior, 'Uhuuu!'.

São riffs poderosos e certeiros criando uma atmosfera crua, ainda permeada pelos clássicos do rock progressivo e psicodélico – tanto que o som da banda pode facilmente ser rotulado como “prog-brega”, pelo estilo dos vocais e timbres da guitarra.

'Até que enfim' are o álbum com um climão 'Pink Floyd', mas já inclui o peso das guitarras no som do 'Cidadão Instigado' definitivamente. Porque daí pra frente o peso não arrefece mais. 'Dizem que sou louco por você' trás o que a banda faz de melhor – canções sobre psicoses e manias que se tornam crônicas urbanas sob a perspectiva do matuto nordestino – esse climão é repetido na canção seguinte, 'Os viajantes'

'Perto de mim' é uma bela balada com tradição profunda dos trovadores do nordeste e apresenta um clima intimista com o violão de Catatau, o teclado de Dustan Gallas e a harmonização de Rian Batista e Regis Damasceno, no melhor estilo ópera-rock tupiniquim com direitos a efeitos, explosões e tudo mais.

'Besouros e borboletas' começa com a mesma explosão que encerra a faixa anterior, e apesar de continuar o clima, apresenta solos enérgicos e riffs entoados em uníssono, no melhor estilo hard-rock, pra não dizer heavy metal. Em 'Ficção científica', o 'Cidadão' extrapola ao criar um climax pesado e sujo psicodélico. Em 'Fortaleza', os conterrâneos da banda apresentam um mote pesado em homenagem à cidade.

'Land of light' transporta o ouvinte ao final dos anos 70 com a ópera-rock 'The Wall' e segue o percurso temporal em 'Green card', relembrando alguns dos clássicos do 'Queen' do início dos anos 80. 'Quando a máscara cai' chega arrebentando os tímpanos com um peso surpreendente para os seguidores do 'Cidadão Instigado'.

'Dudu, Vivi, Dadá' começa como um respiro após o tamanho caos da faixa anterior, mas envolve o ouvinte com tanta destreza e o transporta para mais uma pletora de distorções e grooves enfurecidos.

'Lá lá, lá lá lá lá' é o final perfeito para o disco – uma cançãozinha-pop-da-porra, para encher estádios e ser entoada em uníssono por toda a galera. Uma ode ao ato de se cantar junto... Um verdadeiro hino!!!

2015 Fortaleza

1. Até que enfim
2. Dizem que sou louco por você
3. Os viajantes
4. Perto de mim
5. Besouros e borboletas
6. Ficção científica
7. Fortaleza
8. Land of light
9. Green card
10. Quando a máscara cai
11. Dudu Vivi Dadá
12. Lá lá lá lá lá lá

domingo, 29 de março de 2015

ALÉM DA LOA DE LUIZA LIAN E SUAS LANTEJOULAS LÚGUBRES

Cantora paulistana entrega uma estréia poderosa e arrasadora, com álbum produzido por Tim Bernardes da banda 'O Terno'.  



Luiza Lian surgiu de repente como um furacão com seu single 'Chororô' – num aperitivo do álbum completo – e logo em sequência soltou o videoclipe do segundo teaser, 'Coroa de flores', que é um legítimo samba de paulista, para entregar a estréia mais poderosa e acachapante de todos os tempos.

Brincadeiras a parte, mas esta generalização textual condiz totalmente com o disco de estréia da cantora, que chegou na internet como uma capsula do tempo cheia de fuzz e efeitos psicodélicos, tudo devidamente produzido por Tim Bernardes, da banda 'O Terno'.

O disco tem canções arrasadoras, que não passam incólume ante o mais exigente ouvinte, que pode esperar diversos ritmos e estilos. Desde o blues cheio de guitarras fuzz e o escambau como 'Ônibus lotado', 'Gula', 'Mississipi' e 'Luar', que fecha o petardo.

Mas Luiza também apresenta o balanço quente da lambada urbana em 'Falador', sem deixar de louvar os orixás com 'Protetora' e sempre se entregando ao bolero elétrico de 'Linda linda'. 'A luz da vela' parece ser uma simples balada, mas o final apoteótico cria um clima crescente e onipresente, que vai desembocar na bem humorada 'Escuta Zé', onde a cantora exerce a veia poética ao apresentar uma louvável continuação aos versos de Drummond.

Luiza mostra-se grande compositora como em 'Jardim', na qual ela cria uma balada onipotente cheia de figuras de linguagem, criando um universo mítico e todo particular. 'Me tema' é uma ode aos movimentos feministas, uma oração ao corpo feminino, um viva ao papel protagonista das mulheres, enfim, uma canção que reforça a luta das mulheres dos dias de hoje.

Luiza Lian está longe de ser ativista em qualquer movimento, que não seja musical, mas como toda artista feminina atual, ela não pode passar em branco sobre o assunto e o faz com bom humor em composição de Bárbara Malavóglia. Gê Marques compôs três canções e outras duas em parceria com Beto Bianchi – todas outras faixas são compostas pela cantora.

A banda que acompanha a cantora é formada por Tim Bernardes na guitarra e Guilherme d'Almeida (o peixe), ambos d'O Terno', Tomás de Souza no piano, teclado e sanfona e Charles Tixier na bateria e mpc, ambos do 'Charlie e os Marretas' e Juliano Abramovay, da banda 'Grand Bazaar', no violão, guitarra e viola.

Depois de tudo isso, se você não baixar é porque não gosta de “roquenrou”, mas se quiser pegar seu exemplar virtual é melhor se apressar enquanto o soundcloud permite... o álbum já foi disponibilizado no site da cantora e os links já foram atualizados... 

2015 Luiza Lian

1. Chororô
2. Me tema
3. Ônibus lotado
4. Protetora
5. Coroa de flores
6. Falador
7. Gula
8. Linda linda
9. A luz da vela
10. Escuta Zé
11. Jardim
12. Mississipi
13. Luar

domingo, 22 de março de 2015

SE RENDA AO PRESENTE DA TRUPE CHÁ DE BOLDO

Banda paulistana extrapola no desbunde e entrega um dos melhores álbuns do ano, com um balanço altamente recomendável.  


A 'Trupe Chá de Boldo' apresenta uma coleção de canções coletivas de diversos estilos e balanços, que fazem qualquer um apreciar sem moderação.

A banda tem em sua formação uma multidão de artistas – são mais de 10 cantores, instrumentistas, performáticos etc. O álbum 'Presente' abre com o petardo de Negro Leo, 'Jovem Tirano Príncipe Besta' – uma canção enigmática e potente, que pode bem representar os dias atuais.

O disco segue com delírios musicais populares como em 'Smex smov', 'Fogo fogo', 'Meu tesão é outro' e 'Cine espacial'. Mas também há espaço para as quase baladas 'Lampejo', 'Aos meus amigos', 'Moremáximo' e 'O fim é só o começo'. Sem falar na overdose de sopros em ritmo de ska de 'Amores vão', no balanço sensual de 'Diacho' e na autobiográfica 'Uma banda'.

O disco é uma gostosa obra coletiva que cativa o ouvinte na primeira audição. Impossível não ouvir mais uma vez e outra e depois mais outra... Simplesmente imperdível!!!

2015 Presente

1. Jovem Tirano Príncipe Besta
2. Meu tesão é outro
3. Diacho
4. O fim é só o começo (coração)
5. Smex smov
6. Fogo fogo
7. Cine espacial
8. Lampejo
9. Moremáximo
10. Amores vão
11. O fim é só o começo
12. Aos meus amigos
13. Uma banda

domingo, 15 de março de 2015

A MESMA TERNURA PRA PEDIR UMA SURRA TAMBÉM PEDE AFAGO

Rafael Castro lança novo disco com pegada pop e eletrônica e cria uma personagem andrógina e espetaculosa. 



Um sonho foi a partida inicial para a criação de uma pérola do cancioneiro popular brasileiro. O novo álbum de Rafael Castro, 'Um Chopp e um Sunday', leva o cantor ao universo glitter, purpurina e espalhafatoso, que é quase um revival dos anos 80.

Como um Ziggy Stardust morderno e tupiniquim, Rafael carrega na maquiagem e abusa dos saltos e botas e entrega um disco recheado de batidas eletrônicas e sintetizadores. A abertura dá-se com a canção do clipe, 'Ciúme', que revela a destreza de Castro em criar uma crônica urbana e pós-moderna do cotidiano amoroso atual.

A obra segue com 'Preocupado', outra crônica sobre a realidade, que entrega uma perfeita simetria entre o analógico e o digital. Na sequência Castro faz uma ode às mulheres, sem deixar o respeito de lado chamando-as todas de 'Gostosa', com a poesia sagaz e característica de sempre.

Depois, Rafael pede que o público não vá ao show do 'Caetano Veloso', para presenciar um show dele – não duvido muito que logo vai aparecer o próprio Caetano metalinguando esta mesma canção. 'Aquela' é uma versão extraordinária da banda de Brasília, 'Raimundos'.

'Bicho solto' pode ser o ápice do álbum, uma canção dançante que explode num climax grandioso. Seguida por 'Víbora' – aquele blues rasgante cantado pela Tulipa Ruiz em seu álbum mais novo, mas que ganhou uma versão comedida e cadenciada.

Em '#Comofas' se mostra atento também com o mundo digital e cibernético ao criar sua crônica particular ao mundo da internet, do twitter etc e tal. 'Um trem passou por aqui' conta a história da perna decepada de ninguém menos que Roberto Carlos – uma versão do fracasso absoluto da banda 'Joelho de Porco', de autoria de Zé Rodrix e Tico Terpins.

'Motivo' descreve as preliminares de um casal, um dos temas recorrentes do cantor e compositor. O álbum se encerra com outra versão – desta vez da dupla oitentista 'Piu Piu de Marapendi', responsável pela paródia do hit da 'Blitz', 'Você não soube me amar', o famoso 'Melô do Waldemar' – com a canção 'Vou parar de beber'.

O novo disco de Rafael Castro cumpre a proposta a qual ele veio ao sonhar em fazer “música gata festeira” ou “putz putz”, como bem exemplifica o cantor. Não perca!

2015 Um Chopp e um Sunday

1. Ciúme
2. Preocupado
3. Gostosa
4. Caetano Veloso
5. Aquela
6. Bicho solto
7. Víbora
8. #Comofas
9. Um trem passou por aqui
10. Motivo
11. Vou parar de beber



domingo, 8 de março de 2015

O RITUAL SUTIL DE JAIR NAVES

Cantor e compositor cria uma obra sublime e recheada de belas canções, que funcionam como hinos de lotar estádios.  


Jair Naves apresenta o segundo álbum como uma linha evolutiva do primeiro disco e até mesmo do trabalho que feito com a banda 'Ludovic'.

Seguindo a própria vocação de criar hinos a serem entoados em uníssono por grandes multidões, Naves demonstra que o que falta mesmo é conseguir lotar os grandes estádios. Mas esse é um problema que não lhe compete, pois talento é claro que tem.

Com vocais falados e quase não cantados, Naves evoca de Leonard Coehn a Gil Scott-Heron e combina sua fala cantada com a nova música brasileira, nas participações especiais de Bárbara Eugênia nos vocais, Guizado no trompete, Caio e Igor Bologna na percussão, Raphael Evangelista no violoncelo e dos brasilienses Camila Zamith do 'Sexy Fi' e Beto Mejia dos 'Móveis Coloniais de Acaju'.

Nos show ao vivo, Naves é acompanhado por Renato Ribeiro no violão e guitarra, Felipe Faraco no teclado e sintetizador, Rafael Findans no baixo e Thiago Babalu na bateria. Essa mesma galera produziu este álbum em parceria com Naves.

Destaque para 'Resvala', 'B.', 'Prece atendida', 'Deixe/ Force' e 'Um trem descarrilhado'. O disco é curto, mas deve ser ouvido na sequência sugerida pela própria ordem. Uma boa oportunidade para modificar o cenário e construir um ambiente onde o cantor lote estádios para cantar suas canções altamente vibrantes e viciantes. O álbum faz juz ao título, 'Trovões a me Atingir'.

2015 Trovões a me Atingir

1. Resvala
2. 5/4 (Trovões vêm me atingir)
3. Incêndios (O clarão de bombas a explodir)
4. B.
5. Prece atendida
6. Em concreto
7. Deixe/ Force
8. No meu encalço
9. Um trem descarrilhado

domingo, 1 de março de 2015

TRIBUTO AOS 20 ANOS DO PRIMEIRO ÁLBUM DOS RAIMUNDOS

Banda brasiliense é homenageada com diversas releituras atualizadas das novas bandas do novo cenário brasileiro.



Os 'Raimundos' arregimentaram grandes fãs nos anos 90 e fizeram história ao fazer um diálogo com a juventude, misturando a linguagem do repente nordestino com o punk-rock gringo.

Com canções clássicas como 'Puteiro em João Pessoa', na qual Digão, Canisso, Fred e Rodolfo cantavam sobre a perda da virgindade sem o menor pudor, aqui regravada por Diogo Soares dos 'Los Porongas'.

'Palhas do coqueiro' ganhou versão dos, também brasilienses, 'Móveis Coloniais de Acaju', onde o rock-pesado-rural deu lugar para o ska-pop da trupe mobiliária.

A banda stoner rock 'Capim Maluco' gravou a clássica 'Minha cunhada', enquanto o 'Do Amor' de nova vida a 'Carro forte', 'Vanguart' com 'Nega Jurema', 'Nevilton' em 'Marujo' e 'The Baggios' com 'Cintura fina'.

Restam ainda participações de, Juliano Gauche, Daniel Groove, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro. O álbum encerra com duas versões de 'Selim', que nos remete ao riff inicial da sanfona de 'Acauã' de Luiz Gonzaga, mas com uma letra escatológica e anti-feminista, que prova que as canções dos 'Raimundos' envelheceram mal com o tempo e se tornaram inviáveis em um cenário atual.

Mesmo assim é bom relembrar o recorte temporal que elas representam. Abrace sem medo, mas não vá esperar algo além de pura diversão. O disco foi produzido e disponibilizado pela revista digital 'Urbanaque'.

2015 Eu Quero é Rock

1. Puteiro em Joáo Pessoa – Diogo Soares + Kali
2. Palhas do coqueiro – Móveis Coloniais de Acaju + Evandro Vieira
3. Mms – Zimmer + Euthanasia
4. Minha cunhada – Capim Maluco
5. Rapante – Single Parents
6. Carro forte – Do Amor
7. Nega Jurema – Vanguart
8. Deixei de fumar cana caiana – Lemoskine
9. Cajueiro Rio das Pedras – Felipe Cordeiro
10. Bê a bá – Rolbando
11. Bicharada – Floreosso
12. Marujo – Nevilton
13. Cintura fina – The Baggios
14. Selim – Daniel Groove
15. Selim (acustico) – Juliano Gauche



domingo, 22 de fevereiro de 2015

CEM POR CENTO TREZE POR SETENTA

A banda paulistana 'Bixiga 70' lançou novo single em vinil ano passado e segue agora em download gratuito.



O single do 'Bixiga 70', o '100% 13 EP', contém a versão original de '100% 13' e a versão dub da mesma faixa, '100 % dub', com produção e parceria de Strikkly Vikkly.

Uma canção forte e poderosa que passa uma imagem de evolução contínua da banda, passando pelo afrobeat até a fanfarra do leste europeu e pelo jazz etíope, tão em voga atualmente.

A versão dub também é um caso a parte e merece bastante atenção.

2014 100% 13 EP

1. 100% 13
2. 100% dub

domingo, 15 de fevereiro de 2015

PLAY BAIANA SOM SYSTEMA

Em pleno carnaval, a banda de Robertinho Barreto e Russo Passapusso lança o tão aguardado novo single.



Fazia tempo que estávamos aguardando um novo lançamento da banda 'Baiana System' – pra quem não conhece é simplesmente uma das melhores bandas em atividade de todo país.

Robertinho Barreto faz com uma mistura elegante da guitarra baiana com diversos ritmos e faz das canções eternas melodias de carnaval.

Com vocais de Russo Passapusso, a canção 'Playsom' trás o sample do próprio 'Baiana System', mais especificamente da canção 'Terapia', lançada no último single da banda. É inacreditável a capacidade do 'Baiana System' de se reinventar e cria um som único e universal.

2015 PlaySom

1. Playsom

domingo, 8 de fevereiro de 2015

LINDO MAR DE MARACATU DE LORENA NUNES

Lorena Nunes apresenta canções gravada em Fortaleza, para um álbum esquecido dos lançamentos de 2014.  



Lorena Nunes lançou um disco surpreendente com uma banda afiada formada por Claudio Mendes nas guitarras, Igor Ribeiro na bateria, Netinho de Sá no baixo e Thiago Rocha nos sopros, com participações de Beto Villares e Yuri Kalil.

O álbum abre com a suingada 'Alegria amarela', seguida pela jazzistica 'Corpo solto'. 'Procê sambar' chega de mansinho com uma balada lounge, mas revela um groove espetacular. O disco tem de tudo, tem reggae como 'Doido por mim', tem levadas que apresentam certa latinidade caribenha como 'Parangaba João Pessoa' e 'Ai de mim', tem blues em 'Bem ali', 'So close' e 'O céu, o mar, os rios'.

O álbum encerra com 'Águas de mamãe Oxum', celebrando o orixá das águas revoltas dos rios. Lorena Nunes apresenta uma obra vigorosa e cheia de surpresas.

2014 Ouvi Dizer que Lá faz Sol

1. Alegria amarela
2. Corpo solto
3. Procê sambar
4. Parangaba João Pessoa
5. Bem ali
6. Doido por mim
7. So close
8. O céu, o mar, os rios
9. Ai de mim
10. Águas de mamãe Oxum